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Logística e economia, do Estado e do Brasil, em debate
Postado em: 13/07/2016
Logística e economia, do Estado e do Brasil, em debate
Um ambiente para se discutir assuntos pertinentes do segmento de cargas, da economia e do Estado. Foi dessa forma que o presidente do Transcares, Liemar Pretti, definiu o III Fórum da Logística Capixaba, realizado na manhã de quinta-feira, 7 de julho, na sede do Transcares. O evento reuniu 53 pessoas, entre dirigentes, empresários e profissionais do segmento, além de alguns convidados, que participaram de duas palestras: Desafios para o Desenvolvimento, apresentada pelo secretário de Estado de Desenvolvimento, José Eduardo Faria de Azevedo, e O Novo Cenário Econômico e as Perspectivas Brasileiras, com Paulo Roberto Simões de Simões.

Dentre os convidados do Fórum estavam o subsecretário de Logística de Transportes da secretaria de Desenvolvimento, Orlando Bolsanello Caliman, o superintendente da Fetransportes, Sandro Perovano, representante do presidente, Jerson Picoli, o Diretor de Relação com Associados do Ibef-ES, Alessandro Dadalto, e o diretor da DVF Consultoria, Durval Vieira, que aproveitou a ocasião para assinar com Pretti o contrato de adequação do Planejamento Estratégico do Transcares.

Antes de iniciar sua palestra, José Eduardo levou ao público do evento uma boa notícia – há muito aguardada por empresários do segmento: a aprovação do Compete, concessão de benefícios fiscais a setores produtivos locais. “Isso é resultado de um esforço da diretoria do Transcares e do Governo. Trata-se de uma grande conquista!”, disse.

Desafios para o Desenvolvimento

José Eduardo iniciou sua palestra contextualizando o cenário econômico e garantindo que não há crescimento sem competitividade e produtividade. “O governo federal flertou fortemente com o populismo fiscal e econômico, e o resultado disso foi um impasse generalizado. Estamos pagando um preço alto, mas já existe luz no fim do túnel. E para garantirmos melhores condições de governabilidade será necessário, em primeiro lugar, consolidar medidas estruturantes”, destacou ele, referindo-se às necessárias reformas previdenciária, trabalhista e tributária.

E se o Brasil tem sua conjuntura, o mesmo acontece com o Espírito Santo. A prioridade número um neste momento atende pelo nome de equilíbrio fiscal. Segundo o secretário, o governo do Estado está iniciando o segundo ciclo de ajustes e admite que a equipe continua focada no propósito de aumentar a capacidade de investimentos.

“Nossas contas continuam no limite e nossa capacidade de investimentos continua baixa. Precisamos recuperá-la! Esse é o grande segredo, manter a capacidade básica de investimentos mesmo na crise”, destacou Faria, que chamou atenção para um detalhe: as cadeias produtivas do Espírito Santo, que se consolidaram como um diferencial.

Há décadas, o Estado estruturou arranjos produtivos que lhe garantem uma cadeia diversificada. Fazem parte dela as atividades dos polos moveleiro, metalmecânico, alimentício e confecção, e dos segmentos de logística, mármore e granito, siderurgia, mineração, celulose, petróleo e gás, construção civil e fruticultura. “Essas cadeias nos dão base estrutural para crescer”, resume.

Ao citar as cadeias produtivas, José Eduardo ressaltou a necessidade do Espírito Santo produzir para fora e dessa demanda surgiram quatro grandes objetivos que fazem parte da agenda capixaba. Melhorar o ambiente de negócios e a competitividade estadual; melhorar a logística estadual para aumentar sua capacidade competitiva; focar na diplomacia ativa e na atração de novos investimentos; e buscar financiamentos, incentivos e parcerias para o desenvolvimento.

“Precisamos investir, divulgar, mostrar que o Espírito Santo tem um ambiente de negócios favorável. E acreditamos que essa agenda nos permitirá fazer isso”, concluiu.

O Novo Cenário Econômico e as Perspectivas Brasileiras

Para levar ao público do Fórum um tema com viés econômico, Paulo Roberto Simões de Simões fez um apanhado de notícias veiculadas na mídia entre os anos de 2014 e 2015, e garantiu que a crise de hoje vinha se desenhando há, aproximadamente, 10 anos. A situação agravou-se ano passado em virtude dos ajustes fiscais promovidos pelo governo federal, focados em aumento de arrecadação e corte de despesas.

“Existe, aqui, uma preocupante relação de causa e efeito. O corte de despesa, única e simplesmente, não é a saída para a baixa receita, pois isso impacta diretamente no nível do serviço que prestamos”, explicou ele, reconhecendo a “fragilidade” do setor de transporte em meio às dificuldades. “Qualquer setor econômico que sofra economicamente impacta diretamente o transporte, daí vocês estarem sentindo tanto o efeito da crise”.

O cenário atual, de acordo com o economista, envolve insegurança, esperança com a nova equipe de governo, indecisão quanto à mudança de governo e corrupção sistêmica. E ele garante que até o final de agosto ninguém fará absolutamente nada!

Mas, assim como José Eduardo, ele trouxe um sopro de esperança. “Estamos começando a ver uma mudança de vento. O PIB de 2015 foi -3.80 e a projeção para fecharmos 2016 é entre -3,60 e -3,35. Ainda estamos sentindo na pele o efeito do pior momento da crise, mas nossos números tendem a melhorar”, acredita.

E com a experiência de quem está há mais de 18 anos no mercado, ele aponta as necessidades do Brasil para o momento da retomada: reduzir as taxas de juros, definir prioridades, fazer as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, restabelecer a confiança dos investidores e melhorar a infraestrutura.

“Além disso, fica aqui minha dica para a empresas, que são as geradoras de emprego e renda. O momento é de pensar estrategicamente! Ou seja, não podemos perder mercado, precisamos conquistar novos mercados e ter uma atenção especial ao nosso capital intelectual”.

Quem foi ao evento gostou do que viu e ouviu. “As informações abordadas nas palestras serviram para clarear um pouco os horizontes e gostei mais ainda porque muitas das coisas citadas pelo Simões nós já estamos fazendo na empresa”, destacou o Coordenador Administrativo e da Qualidade da Velten Log, Marcos Duque.

Diretor Regional Noroeste do Transcares, Luiz Alberto Teixeira era um dos presentes e também foi só elogios às informações levadas por José Eduardo e Paulo Roberto. “Tudo o que ouvimos foi importante para avaliar se estamos no caminho certo ou não. E gostei de vê-los falando que estamos vivendo um momento de reação”.
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