Notícia
Manutenção de investimentos faz companhia aumentar resultados na crise
Postado em: 23/02/2017
Manutenção de investimentos faz companhia aumentar resultados na crise
Em meio a um cenário marcado por números negativos na economia nacional, a Avianca comemorou o avanço de resultados: expansão de oferta, demanda e passageiros transportados. No ano passado, a demanda doméstica pelo transporte aéreo diminuiu cerca de 5,5% no Brasil; a companhia avançou 14,5%. A oferta de assentos, por sua vez, que teve diminuição média de 5,7% no Brasil, mas acumulou alta de 14,1% na Avianca. Quanto ao número de passageiros transportados, o resultado do setor diminuiu 7,4%; já a companhia transporou 14,4% mais.

A explicação, para isso, é a manutenção do plano de investimentos, com aumento da oferta de assentos e de serviços e renovação da frota, diz o vice-presidente da Avianca Brasil, Tarcísio Gargioni. Ele explica que a decisão foi tomada porque a companhia opera com a menor parcela do mercado no Brasil, 11,55% (o restante é dividido entre Azul, com 17,19%; Gol, com 36,25%; e Latam, que tem 35,01%). “Se reduzíssemos a oferta, poderíamos perder competitividade. Aí decidimos fazer um produto diferenciado. Isso tem alinhamento com os períodos de crise, quando o cliente fica mais exigente na compra de bens, serviços, produtos, etc”, afirma o executivo.

Em entrevista à Agência CNT de Notícias, Tarcísio Gargioni comentou a estratégia adotada pela empresa para acelerar os resultados. Com cerca de 50 anos de experiência em transporte (com atuação no rodoviário e no aéreo), ele também fala sobre os desafios do setor para os próximos anos.


Atualmente, a Avianca Brasil atende 22 destinos domésticos e um internacional. O próximo a ser inaugurado, em março, será Foz do Iguaçu (PR). São 230 decolagens diárias com 44 aviões Airbus, a frota mais jovem da América Latina (no ano passado, a empresa divulgou ter encomendado 62 aeronaves do modelo A320neo à Airbus, como parte do programa de renovação da frota).

Com a expansão da demanda pela aviação entre 2000 e 2015, houve problemas decorrentes da infraestrutura inadequada. Agora o mercado doméstico está em retração. Mas quando a economia voltar a crescer, como o senhor acredita que será a resposta? Podemos ter novas dificuldades?
Tarcísio Gargioni - No ano 2000, eram 25 milhões de viagens por ano. Agora, se aproxima de 100 milhões. Somos o terceiro maior mercado do mundo. Do lado das companhias operadoras, nós acompanhamos bem esse desenvolvimento. Do ponto de vista de gestão, é de primeiro nível: temos uma frota jovem, nível de segurança de primeiro mundo. O que nos impede de ser mais eficientes e produtivos é a falta de infraestrutura aeroportuária, que não acompanhou esse desenvolvimento. Ainda temos ineficiências por falta dessa infraestrutura. O setor teve uma queda significativa nos anos de 2015 e 2016. Em 2017, devemos ter uma estabilização. Mas as perspectivas de crescimento econômico a partir de 2018 e 2019 continuam preocupando em termos de infraestrutura. Podemos, sim, ter dificuldade. Mas com as concessões dos aeroportos e a modernização dos sistemas de navegação – e já em março vamos ter mais quatro –, as obras podem ser executadas mais rapidamente. Se acelerar esse processo, automaticamente vamos ter uma condição melhor e em um tempo rápido. Isso significa que vamos ter condições melhores de infraestrutura quando reativar.

Enquanto o setor aéreo vem registrando sucessivas quedas, desde o segundo semestre de 2015, a Avianca vem somando resultados positivos. Como a empresa optou por se posicionar neste momento para aumentar os resultados?
Nós vínhamos num processo de crescimento acelerado antes da crise e não podíamos fazer uma interrupção. Como tínhamos operação menor, também não tínhamos alternativa de reduzir a oferta, porque já tínhamos pouca presença no mercado. Se reduzíssemos a oferta, poderíamos perder competitividade. Aí decidimos fazer um produto diferenciado, o que tem alinhamento com os períodos de crise, quando o cliente fica mais exigente na compra de bens, serviços, produtos, etc. Ele escolhe mais, seleciona mais. Nós oferecemos mais espaço entre as poltronas – são 12 assentos menos –, a frota mais nova, entretenimento individual, mantivemos sanduíche quente de lanche e fortalecemos as operações onde já estávamos. Não ampliamos a rede geograficamente, mas fortalecemos a existente. Temos cerca de 12% de participação no mercado, mas onde operamos temos 25%. Então adotamos a estratégia de manter o plano original, renovar frota, fortalecer o atendimento, treinamento dos colaboradores e implementação de novos produtos. Isso fez com que a gente crescesse em um período de recessão.

O passageiro de avião está cada vez mais exigente quanto aos serviços oferecidos antes, durante e após a viagem. O que o senhor acredita que está no horizonte do setor?
A certeza que temos é que não podemos parar e temos que ter um processo contínuo de inovação, para que o cliente tenha mais facilidades, simplificação de processos no ato da compra. Ele quer ter oferta de voos, para que possa ir e voltar, quer ser bem tratado quando chega no aeroporto, no avião e no pós-venda se ocorrer alguma coisa. E se ocorrer algum problema, que a solução seja rápida. É um processo contínuo e permanente. Então, cada vez mais o cliente é exigente e estamos com essa filosofia. Na indústria brasileira, temos uma média de 5 viagens por ano. No caso da Avianca, mais de 60% dos clientes viajam mais de 10 vezes por ano. Temos um índice de fidelização extremamente alto, mesmo tendo um plano de mídia bastante reduzido. Isso nos dá certeza de que estamos no caminho certo.

Fonte: Agência CNT de Notícias


Voltar!