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Prefeitura vai manter restrições à circulação de caminhões no Rio
Postado em: 21/09/2016
Prefeitura vai manter restrições à circulação de caminhões no Rio
Um legado polêmico: a restrição à circulação de caminhões nas ruas da cidade, que ficou mais rigorosa desde 19 de julho, por causa dos Jogos Olímpicos, não terá refresco, mesmo após o fim da Paralimpíada, no dia 18 de setembro. Um decreto publicado no Diário Oficial do Município proíbe a entrada e circulação de veículos de carga entre 6h e 20h, nos dias úteis, em 26 ruas e avenidas do eixo Centro-Zona Sul. A determinação vale também para 29 vias nas zonas Norte e Oeste, nos horários de 6 às 11h e das 17h às 20h, além das vias expressas. As novas regras, que na prática prolongam as restrições adotadas durante as competições, prometem afetar o cotidiano de transportadoras, comerciantes e caminhoneiros. A decisão irritou representantes da classe que, há quase dois meses, tiveram que alterar suas operações de entrega.

Na Avenida Brasil, no trecho compreendido entre as avenidas Francisco Bicalho e Martin Luther King Jr, a circulação de caminhões está proibida de 6h às 10h e das 19h às 20h, também nos dias úteis. Na Linha Amarela, a circulação de veículos pesados está restrita entre 6h e 11h e de 17h às 20h. As novas regras pegaram de surpresa o presidente da Federação de Transportes de Cargas do Rio (Fetranscarga), Eduardo Rebuzzi. Ele teme que a rotina do Porto do Rio, por exemplo, seja gravemente afetada.

“Fui surpreendido. Entendo que a prefeitura não deveria ter feito isso sem antes conversar conosco. A Avenida Brasil é fundamental para a operação portuária. Temos que entender o que está sendo feito para que o transporte através do nosso porto não seja prejudicado”, alertou Rebuzzi, que também é presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio (ACRJ).

Caminhonetes podem circular

Ao contrário do decreto do período olímpico, as restrições na Avenida Brasil ocorrem apenas entre o Caju e Parada de Lucas. Antes, a proibição era até Realengo, na Zona Oeste, o que gerou uma enxurrada de críticas, principalmente por parte de caminhoneiros que fazem o transporte de cargas a partir da Central de Abastecimento do Estado (Ceasa).

“Lá, nosso maior problema é na parte da manhã porque todos os caminhões são obrigados a esperar o horário permitido para voltarem aos seus destinos. Ou seja, o engarrafamento que não se via na Avenida Brasil está dentro da Ceasa. Sem contar os prejuízos que tivemos, pois muitas vezes o caminhoneiro não conseguia fazer todas as entregas do dia devido ao horário”, relatou o presidente da Associação Comercial dos Produtores e Usuários da Ceasa Grande Rio, Waldir Lemos.

Nenhuma das restrições se aplicam aos veículos de socorro, transporte de valores e de combustíveis e betoneiras. No caso de caminhões de mudança, será necessária autorização da Secretaria municipal de Transportes, que vai analisar caso a caso.

A entrega em residências de mercadorias como eletrodomésticos está assegurada em horário comercial se for usado veículo de pequeno porte. A circulação do Veículo Urbano de Carga (VUC) — com largura máxima de 2,70 metros e comprimento máximo de 7,20 metros — está permitida das 11h às 17h. Para a Olimpíada, as empresas que trabalham com entregas de produtos precisaram reformular seus planejamentos. Na época, representantes da classe afirmaram que muitos clientes não entenderam as mudanças dos horários da operação e chegaram a cancelar entregas.

Rebuzzi sugere adaptações no novo decreto. Ele alega que determinações para um período específico, como as que ocorreram durante da Olimpíada, são compreensíveis. Contudo, ele afirma, aprimoramentos são fundamentais para não impactar o cotidiano da população.

“Há a demanda da pessoa física que pode ter problema para receber entrega durante a noite. Já o abastecimento de grandes magazines, shopping centers, concessionárias de veículos é uma operação que é melhor ser feita no turno da noite. O planejamento olímpico deve servir de base para um aprimoramento futuro, e não ser publicado assim, sem ser conversado e analisado”, criticou.

No Diário Oficial, a prefeitura justifica a nova regulamentação pela “boa experiência resultante da aplicação do Decreto 41.867, de 21 de junho de 2016, que estabeleceu regras de circulação de veículos de carga no período dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”. Ele ressalta ainda que “o aumento recente do número de veículos nas vias da cidade vem provocando congestionamentos e impondo à população gastos adicionais consideráveis no tempo de deslocamento”.

No Centro e na Zona Sul, as principais vias impactadas são as avenidas Francisco Bicalho, Paulo de Frontin, Delfim Moreira, Vieira Souto, Atlântica e Rodrigues Alves. Nas Zonas Norte e Oeste, o polígono com proibições diminuiu, se comparado com o decreto da Olimpíada. Quatro vias foram retiradas e outras seis substituídas. Os motoristas devem ficar atentos, principalmente, no Elevado das Bandeiras, na Ponte da Joatinga, nas Avenidas Lúcio Costa e Gláucio Gil, além do túnel do BRT Transolímpico e das avenidas Ernani Cardoso e Dom Hélder Câmara.

Queixas das empresas

Quando as restrições de circulação foram implantadas na cidade para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, as queixas de quem trabalha com entregas foram grandes. A correria para cumprir o cronograma diário dentro dos horários estabelecidos obrigou várias empresas a aumentar o número de funcionários. Uma rede de hortifrúti, por exemplo, precisou contratar mais cinco ajudantes para agilizar as entregas.

Os motoristas, por sua vez, tiveram que redobrar a atenção para evitar multas. Mesmo assim, pelo menos 305 caminhoneiros foram multados em 19 de julho, primeiro dia das regras do período olímpico.

Fonte: O Globo


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