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Setor de serviços tem o pior resultado em quatro anos
Postado em: 15/01/2016
Setor de serviços tem o pior resultado em quatro anos
Nem o setor de serviços resistiu. Teve a pior queda, desde que o IBGE começou a fazer essa pesquisa, há quatro anos. Esse é o setor que costuma sentir por último os efeitos da crise. Quando chega nesse ponto, significa que as pessoas estão gastando menos: no salão de beleza, no restaurante, nas compras em geral. E isso acaba se refletindo também nos empregos do setor.

O setor de serviços já foi considerado a salvação da lavoura. “Serviço tem sido um setor importante para a economia brasileira porque ele tem sustentando crescimentos anteriores. O que a gente vê hoje é que, infelizmente, isso já está indo também, com os outros números da economia, está indo na média de queda do mercado”, diz Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (SP).

Tendência confirmada novamente pelo IBGE, que registrou queda de 6,3% no volume produzido pelo setor em novembro passado, na comparação com novembro de 2014.
E todas as áreas pesquisadas tiveram queda de faturamento. De bares e restaurantes e salões de beleza a serviços administrativos oferecidos por escritórios. Nos serviços de transporte, o aéreo se salvou: subiu 11,3 por cento. Já o terrestre caiu quase 14%.

Um símbolo desse setor que agora anda de ré é o de transporte de cargas. Com a indústria em baixa e o comércio desaquecido, o volume de mercadorias para transportar só vem caindo. Para não comprometer ainda mais as finanças, muitas empresas estão tomando medidas duras e reduzindo o seu tamanho.

Os quase 600 caminhões de uma transportadora de São Paulo não têm rodado como os donos esperavam. O faturamento caiu 8%. Para continuar entre as grandes do mercado foi preciso demitir 10% dos 1,2 mil funcionários. O diretor diz que, mais enxuta, a empresa consegue equilibrar as despesas, de olho no desempenho do principal cliente, a indústria.

“Temos que esperar o que vai acontecer com o mercado. O mercado reagindo, nós reagimos na mesma proporção. A velocidade com que o mercado reage, o setor de logística reage também”, afirma Roberto Mira Júnior, sócio-diretor da empresa.

Os serviços encolheram em 22 dos 27 estados e o Distrito Federal. Bahia, Amazonas e Amapá tiveram as maiores quedas. O Espírito Santo teve o maior tombo no Sudeste. No Centro-Oeste, Goiás sentiu mais a retração. No Sul, foi Santa Catarina. Roraima e Mato Grosso estão entre as cinco exceções, em que o setor alcançou números positivos.

“Significa que as pessoas estão deixando de ir ao cabeleireiro, de usar certos tipos de transporte, enfim, estão deixando de usar serviços à sua disposição. Por quê? Por que têm falta de dinheiro. Isso é algo bastante negativo”, explica o professor Fábio Gallo.

No acumulado de 2015, a retração no setor de serviços foi de 3,4%.

Fonte: G1


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