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Transcares participa de audiências públicas em MG para discutir futuro da Samarco
Postado em: 27/12/2016
Transcares participa de audiências públicas em MG para discutir futuro da Samarco
O retorno das atividades da mineradora Samarco foi discutido em duas audiências públicas, realizadas nos dias 14 e 15 de dezembro, nas cidades mineiras de Ouro Preto e Mariana. Cerca de três mil participantes – entre representantes de órgãos do Governo de Minas Gerais, da Samarco, do Ministério Público do Espírito Santo, de entidades, autoridades municipais e outros membros da sociedade civil organizada – marcaram presença nessas importantes reuniões e o Transcares esteve representado pelo superintendente Mario Natali.


Nessas audiências, a Samarco propôs um novo sistema de disposição de rejeitos utilizando a Cava de Alegria Sul, que está em processo de licenciamento ambiental na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad).


A Cava de Alegria Sul é uma alternativa temporária e que permitirá a disposição de rejeitos em um futuro retorno das operações com 60% da capacidade produtiva. A área era utilizada para a extração do minério de ferro. A Cava não possui conexão física com a área de barragens do Complexo de Germano, do qual fazia parte a barragem de Fundão, onde ocorreu o rompimento.


Além de utilizar uma cavidade já existente no solo, a estrutura contará ainda com um dique feito em solo compactado, técnica construtiva das usinas hidrelétricas para armazenamento de água, resultando em uma capacidade de armazenamento de 17 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Isso garantirá um horizonte de cerca de dois anos para as operações da Samarco.


A disposição de rejeitos na Cava tem a anuência do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), autarquia federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A empresa, contudo, já estuda alternativas após seu esgotamento como depósito de rejeitos. As opções em análise contemplam estruturas disponíveis e ambientalmente impactadas na região do Complexo de Germano e novas tecnologias de tratamento do rejeito.


“Após essas duas grandes audiências, ficou nítido para mim que tanto a sociedade mineira quanto a capixaba, embora sofridas com o desastre de novembro de 2015, que acarretou perdas humanas e materiais, bem como reflexos ambientais, principalmente na vida do Rio Doce, o maior manancial do Espírito Santo, têm consciência de que não há espaço para mais paralisações, desemprego e queda de arrecadação em municípios atingidos dos dois estados. Dessa forma, elas optaram por aceitar a proposta de utilização da Cava Sul para deposição de rejeitos durante dois anos, até a busca de outro local em definitivo”, ressaltou Natali, lembrando, contudo, que para usar a Cava de Alegria Sul como depósito, a mineradora precisará da autorização da Semad.


Durante sua viagem, o superintendente esteve com outras pessoas na Cava Sul de Alegria e admite ter ficado impressionado com sua estrutura, segurança física e técnica. “Esperamos, portanto, que o estado suspenda as restrições ambientais e que a Samarco volte a operar, sem embargo de responsabilidades que a lei impõe aos responsáveis pelo gravíssimo desastre de novembro de 2015”.


A comitiva capixaba que participou das audiências públicas reuniu mais de 200 pessoas – além do Transcares, havia representantes da Findes, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer), Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon), Sindicato da Indústria de Construção Pesada do Espírito Santo (Sindicopes), Sindicato da Arquitetura e Engenharia do Espírito Santo (Sinaenco), Cdmec, Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), Conselho Regional de Engenharia (CREA-ES), e da Imprensa, dentre outros. O grupo visitou a empresa, conheceu as obras físicas e de governança, e saiu de lá, de acordo com o dirigente do Transcares, “confiante que até o fim do primeiro semestre de 2017 possamos ter o anúncio da volta das operações da Samarco”.


Para o diretor-presidente da Samarco, Roberto Carvalho, as audiências “foram um momento importante” para a empresa e para a sociedade.


“Iniciamos com as comunidades de Mariana e Ouro Preto o diálogo para possibilitar o retorno das operações da empresa. Foi fundamental ouvir os depoimentos e mensagens de apoio, bem como as críticas, dúvidas e receios apresentados pela sociedade em relação à proposta que apresentamos. Estamos cientes de que ainda há muito a ser feito. Mas acredito que conseguimos criar uma ambiência positiva nesse processo de licenciamento da Cava de Alegria Sul, que nos possibilitará voltar a operar com 60% da capacidade produtiva e, consequentemente, gerar o fluxo de caixa necessário para manter empregos e contribuir para o desenvolvimento das economias de Minas Gerais, do Espírito Santo e do País”, disse ele, em mensagem enviada ao Transcares e às demais entidades participantes dos encontros em Ouro Preto e Mariana.


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