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Boletim da CNT analisa impactos das tarifas dos EUA e cenário econômico do transporte
Edição de julho aborda possíveis efeitos das medidas tarifárias e reúne indicadores de atividade, custos e desempenho dos serviços do setor
A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros está entre os destaques da edição de julho do Boletim de Conjuntura Econômica da CNT. O documento apresenta uma primeira análise dos possíveis reflexos da medida sobre o comércio exterior e a atividade econômica e já apontava a possibilidade de uma nova cobrança, confirmada nesta quinta-feira (23).
Segundo estimativa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil apresentada no Boletim, a tarifa de 25% deverá atingir aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a 26,2% das vendas do país para aquele mercado.
Para as empresas do setor, a principal questão é como eventuais alterações nos volumes produzidos e exportados poderão se refletir sobre a demanda por serviços logísticos. Esses efeitos ainda não podem ser mensurados, mas o Boletim identifica os segmentos mais expostos, os produtos que permaneceram isentos e os possíveis desdobramentos econômicos da tarifa de 25%.
Essa cobrança concentra-se principalmente sobre produtos manufaturados e semimanufaturados, como madeira, produtos químicos, alimentos industrializados, veículos automotores, celulose e papel, máquinas e equipamentos. Permaneceram isentos itens como café, suco de laranja, carnes, petróleo, minérios, fertilizantes e aeronaves, o que reduz parte dos possíveis efeitos sobre o agronegócio e determinados segmentos industriais.
O Boletim também já apontava a possibilidade de uma tarifa adicional decorrente de outro procedimento de análise comercial conduzido pelos EUA. A cobrança foi confirmada também na quinta-feira, com alíquota de 12,5% para parte dos produtos brasileiros. Nos casos em que incidir conjuntamente com a tarifa de 25%, a sobretaxa chegará a 37,5%. A confirmação da medida não altera, por enquanto, a análise apresentada no documento, uma vez que seus efeitos sobre a atividade econômica e a demanda por transporte ainda não podem ser mensurados. Entre as possíveis consequências apontadas estão a redução do fluxo comercial entre os dois países, a perda de competitividade dos produtos brasileiros e a desaceleração da atividade econômica.
A gerente executiva de economia da CNT, Fernanda Schwantes, destaca que, como medida de compensação aos setores mais impactados, o presidente da República assinou a Medida Provisória nº 1.379/2026 (o Programa Brasil Soberano 3), que disponibiliza R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES para linhas de financiamento a empresas afetadas pela nova tarifa. “O governo anunciou auxílio a três grupos de setores econômicos exportadores, assim como no Brasil Soberano anterior, mas o plano de aplicação dos recursos e as condições de financiamento ainda serão oficializadas em normativos do BNDES. Com as três edições do programa, o volume de recursos disponibilizados para crédito aos setores impactados pela política tarifária dos Estados Unidos soma mais de R$ 60 bilhões”.
Transporte registra retração em maio
O volume de serviços de transporte recuou 1% em maio na comparação com abril, segundo dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE, analisados pela CNT. O resultado contribuiu para a queda de 0,4% registrada pelo setor de serviços no país.
O transporte aéreo apresentou a maior retração mensal, de 5,1%. Os serviços de armazenagem, atividades auxiliares aos transportes e correio recuaram 1,1%, enquanto o transporte terrestre ficou praticamente estável, com variação negativa de 0,1%. Em sentido contrário, o transporte aquaviário avançou 1,3% e acumula crescimento de 42% em relação a fevereiro de 2020.
Na divisão por finalidade, o transporte de passageiros caiu 1,3% e o de cargas recuou 0,2%. Apesar das oscilações recentes, o volume total das atividades de transporte permanece 17,8% acima do patamar anterior à pandemia.
Queda mensal não elimina alta acumulada do diesel
Os principais combustíveis apresentaram redução de preços em junho. O etanol caiu 3,09%; o óleo diesel, 1,19%; o gás veicular, 0,19%; e a gasolina, 0,12%.
O movimento trouxe algum alívio no mês, mas não eliminou as altas acumuladas em 2026. No primeiro semestre, o diesel ficou 15,68% mais caro, enquanto a gasolina avançou 6,37%. O óleo lubrificante acumulou elevação de 7,65%, e o etanol registrou queda de 3,98%.
O cenário de custos inclui ainda o encerramento, em 1º de julho, do subsídio federal de R$ 0,35 por litro de diesel. Os combustíveis respondem por cerca de 35% das despesas no transporte rodoviário e por até 40% nos modos aéreo, aquaviário e ferroviário.
A edição acompanha ainda atividade econômica, inflação e câmbio. O IBC-Br variou 0,1% em maio; o IPCA acumulou 4,64% em 12 meses; e o dólar voltou a se aproximar de R$ 5,10. Para 2026, o relatório Focus projeta crescimento de 1,99% do PIB.
A íntegra do Boletim de Conjuntura Econômica, com dados, gráficos e análises da equipe técnica da CNT, pode ser acessada aqui.
Por Agência CNT Transporte Atual