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Transição energética: os gargalos brasileiros da descarbonização

 Transição energética: os gargalos brasileiros da descarbonização

Entre a urgência climática e os desafios das estradas, o Brasil busca caminhos para que o transporte de cargas não impacte o meio ambiente, mas esbarra no alto custo das novas tecnologias e na falta de políticas públicas, segundo especialistas

Mais de uma década após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, tratado internacional que estabelece metas para reduzir as emissões de dióxido de carbono, o Brasil segue estacionado nas políticas e nas iniciativas práticas para descarbonizar o transporte rodoviário de cargas. Embora o país tenha mais de 3,2 milhões de caminhões em circulação, apenas 0,075% utiliza tecnologias de baixa emissão: são cerca de 2,4 mil veículos nessa categoria. No Distrito Federal, o cenário se repete, com apenas 14 caminhões verdes, entre os quase 30 mil registrados, segundo o Ministério dos Transportes.

Dados mais recentes do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, revelam que o Brasil foi responsável pela emissão de 221,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Desse total, o transporte rodoviário – que inclui, além de caminhões, todos os tipos de veículos – respondeu por 204,1 milhões de toneladas, consolidando-se como a principal fonte de emissões do setor.

Mestre em Transportes pela Universidade de Brasília (UnB), Bruno Batista afirma que o transporte rodoviário é o principal responsável por esse cenário. “Algo em torno de 48% das emissões do transporte rodoviário vêm dos veículos leves, de passeio, que são muito numerosos. Outros 44% ficam por conta dos veículos pesados, que são abastecidos, em sua maioria, por diesel”, completou.

O caminho do futuro

O Correio conversou com gestores de empresas para entender como os avanços e os entraves afetam o setor no dia a dia das corporações. A Braspress – empresa de transporte de encomendas –, por exemplo, deu início à eletrificação da frota há cinco anos. Dos 3.090 veículos, 30 são elétricos, entre vans e caminhões de pequeno porte. “Dentro da estratégia de descarbonização das operações urbanas, a companhia vem incorporando caminhões elétricos em rotas específicas, especialmente em grandes centros, onde esse tipo de tecnologia apresenta maior eficiência operacional e ambiental”, afirmou o diretor de Operações da empresa, Luiz Carlos Lopes.

Os benefícios da troca gradual dos veículos não deixam dúvidas de que esse é o caminho para o futuro. “Além da redução das emissões, os veículos elétricos são menos barulhentos, o custo de manutenção chega a ser 50% menor, e eles são mais eficientes em curtas e médias distâncias”, afirmou Lopes. “Os elétricos são mais compactos e possuem menos complexidade na sua conceituação”, completou.

No entanto, há entraves que limitam o avanço de uma tecnologia verde alinhada às necessidades do planeta. “O alto custo do investimento inicial – que varia entre 50% e 60% mais caro do que os (veículos) movidos a combustão – e a (falta de) infraestrutura nacional de recarga são os principais desafios hoje. Este último afeta a autonomia do veículo pela necessidade de recarga das baterias.”

Apesar dos obstáculos, a empresa pretende dobrar a frota elétrica nos próximos anos. “A eletrificação é um processo contínuo e estratégico para o futuro da companhia”, disse o diretor, ressaltando que a expansão dependerá da evolução do mercado no que diz respeito às opções de veículos e preços e de melhoria da infraestrutura. “(Em âmbito nacional), a transição depende não apenas das empresas, mas também da evolução da infraestrutura nacional e de políticas públicas de incentivo ao setor”, destacou.

Fonte: Correio Braziliense

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