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Rodovias brasileiras são ativos estratégicos para o país, diz CNT
Em palestra no Congresso Brasileiro de Manutenção e Gestão de Ativos, diretora executiva da CNT destaca infraestrutura rodoviária brasileira; valor patrimonial médio de um quilômetro de rodovia é estimado em R$ 9,82 milhões
As rodovias brasileiras representam muito mais do que caminhos para o deslocamento de pessoas e mercadorias: são um patrimônio estratégico para o país, com impacto direto na atividade econômica e na operação do transporte. O estoque de ativos da malha rodoviária pavimentada é estimado em R$ 2,13 trilhões, valor equivalente a quase 17% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. O dado foi apresentado pela diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, durante palestra sobre a Pesquisa CNT de Rodovias no 41º Congresso Brasileiro de Manutenção e Gestão de Ativos (CBMGA), nesta quarta-feira (28), em São Paulo (SP).
“Esse é um patrimônio de toda a sociedade brasileira, que a CNT acompanha com atenção e monitora anualmente, reconhecendo sua importância estratégica para o desenvolvimento do país”, destacou Fernanda Rezende ao abordar a dimensão econômica da infraestrutura rodoviária. A importância desse ativo se reflete na dependência do país em relação às rodovias: o transporte rodoviário responde por 64,85% da matriz de transporte de cargas e por 95% do transporte de passageiros.
A diretora executiva também destacou que o valor patrimonial médio de um quilômetro de rodovia é estimado em R$ 9,82 milhões, um valor aproximado de sete caminhões novos. A comparação evidencia a relevância de se conservar a infraestrutura.
A gestão de um patrimônio dessa dimensão exige acompanhamento contínuo e informações confiáveis. É nesse contexto que se insere a Pesquisa CNT de Rodovias, que, há mais de três décadas, avalia as condições da infraestrutura para apoiar decisões sobre manutenção e investimentos.
Na edição de 2025, foram avaliados 114.197 quilômetros de rodovias pavimentadas, incluindo toda a malha rodoviária federal pavimentada, toda a malha concedida e 46.142 quilômetros de trechos estaduais. Os resultados mostram que 37,9% da extensão pesquisada receberam classificação Ótimo ou Bom no Estado Geral, enquanto 62,1% apresentaram algum tipo de deficiência. A pesquisa identificou ainda 2.146 pontos críticos em 2025, número 7,4% inferior à média dos cinco anos anteriores.
A análise detalhada também permite identificar em que estágio de conservação se encontra o pavimento, que afeta diretamente os veículos, um dos principais ativos para as transportadoras. Em 2025, 63,9% da extensão avaliada apresentavam desgaste superficial, enquanto 31,8% registravam trincas, remendos, afundamentos, ondulações, buracos ou trechos destruídos, causando desgaste no pneu e manutenções mais frequentes nos veículos.
Outro dado apresentado por Fernanda Rezende evidencia o desafio de acompanhar as necessidades da rede rodoviária: entre 1980 e 2025, a extensão pavimentada federal cresceu 43,3%, enquanto a frota nacional de veículos aumentou 1.063%. A diferença reforça a importância de se planejar a conservação e a evolução da infraestrutura em sintonia com as demandas de circulação.
A Pesquisa CNT de Rodovias também dimensionou o volume de recursos necessário para recuperar o pavimento das rodovias brasileiras. Na edição de 2025, a estimativa foi de R$ 101,1 bilhões para ações de reconstrução, restauração e manutenção. Desse total, R$ 67,1 bilhões correspondem a intervenções emergenciais, enquanto R$ 34 bilhões seriam destinados a manutenção. A Pesquisa CNT de Rodovias 2026 será divulgada em novembro.
Guia amplia o debate sobre gestão de ativos no transporte
A programação do Congresso também contou com o lançamento do Guia Introdutório de Gestão de Ativos para o Setor de Transportes, iniciativa da Abraman (Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos) com apoio do SEST SENAT. A publicação aproxima os conceitos de gestão de ativos da realidade do setor transportador e contribui para a disseminação de conhecimentos e práticas relacionados ao planejamento, à conservação e ao uso eficiente dos recursos.
O coordenador executivo de Gestão de Ativos do SEST SENAT, Paulo Toledo, e Juter Isensee Neto, da Transpetro, comandaram a palestra de lançamento do Guia. Para o coordenador, a presença do setor de transporte nesse debate permite compartilhar experiências e fortalecer conexões em torno de uma gestão mais estratégica dos ativos. “Uma pane, por exemplo, pode custar muito mais do que a manutenção. Com uma gestão de ativos eficiente, é possível antecipar falhas, reduzir custos com operações paradas e evitar perdas de oportunidades de negócio”, destacou Paulo Toledo.
Fonte: Agência CNT Transporte Atual