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Sistema Transporte debate escala 6x1 no Japão e qualificação de mão de obra do setor
Missão Japão – Brasil Export 2026 tem presença de autoridades e lideranças do transporte; diretora executiva nacional do SEST SENAT mediou encontro sobre mudanças nas relações de trabalho no Brasil
A importância da negociação coletiva e da qualificação profissional diante das transformações no mercado de trabalho esteve entre os principais pontos da participação do Sistema Transporte na Missão Japão – Brasil Export 2026. Em Osaka, na terça-feira (3), a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, mediou o painel “Os reflexos da EC 141/2026 (fim da escala 6×1) no setor da infraestrutura”.
Durante o encontro, ela reforçou a importância do diálogo entre trabalhadores e empregadores na construção de soluções para as mudanças na jornada de trabalho e destacou a necessidade de ampliar os investimentos na formação profissional para enfrentar possíveis desafios de disponibilidade de mão de obra.
Ao abordar o tema, Nicole Goulart chamou atenção para o Projeto de Lei nº 79/2020, que prevê a destinação ao SEST SENAT das contribuições sociais compulsórias de empresas dos setores de transporte aéreo e portuário, incluindo as relacionadas aos trabalhadores portuários avulsos. “A proposta vai fortalecer a capacidade da instituição de oferecer qualificação profissional e serviços de assistência de maneira mais direcionada às necessidades desses segmentos”, disse.
A negociação coletiva foi apontada como um instrumento importante para a adaptação às mudanças nas relações de trabalho. A pauta também foi defendida pela CNT durante a tramitação da proposta de alteração constitucional, com o entendimento de que o diálogo entre as partes é fundamental para considerar as particularidades das atividades econômicas e construir alternativas adequadas à realidade de cada setor.
O painel reuniu autoridades do Judiciário e lideranças empresariais brasileiras. Na abertura, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), destacou que a infraestrutura de transporte é fundamental para a competitividade brasileira. Ele defendeu o planejamento de longo prazo e a integração entre o poder público e a iniciativa privada para superar gargalos logísticos e aproveitar as oportunidades do comércio internacional, tendo o Japão como referência em inovação e eficiência.
Participaram, ainda, os ministros Breno Medeiros e Morgana de Almeida, ambos do TST (Tribunal Superior do Trabalho); o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo; o desembargador Celso Peel, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). Também integraram a comitiva o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Antônio Mathias Nogueira; o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alex Azevedo e a gerente executiva governamental da CNT, Danielle Bernardes.
Intercâmbio e inovação
Até a próxima sexta (6), a Missão Japão – Brasil Export 2026 reúne mais de 60 representantes do Judiciário, do Legislativo, de entidades setoriais e da iniciativa privada, com atividades em Osaka, Kobe, Tóquio e Yokohama. A participação do Sistema Transporte busca aproximar o setor brasileiro de experiências internacionais e oportunidades de inovação.
Em Kobe, a comitiva conheceu projetos da Kawasaki voltados à cadeia do hidrogênio, incluindo um sistema de cogeração por turbina a gás alimentado exclusivamente pelo combustível e o terminal Hy Touch Kobe, destinado ao recebimento e armazenamento de hidrogênio liquefeito.
Já em Tóquio, o grupo conheceu iniciativas de automação logística, como o Autoflow Road Plan, corredor automatizado de 500 quilômetros. O projeto prevê uma infraestrutura capaz de operar 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem intervenção humana direta no trajeto principal. O sistema utilizará um sistema magnético de movimentação de cargas, semelhante ao utilizado pelo trem-bala japonês, com os veículos guiados de forma autônoma sobre trilhos ou faixas dedicadas. Os canais de transporte serão instalados nos canteiros centrais de rodovias já existentes, nos acostamentos ou em túneis subterrâneos construídos sob o leito das vias. Quando totalmente implantado, o corredor poderá substituir a operação diária de até 25.000 caminhões. A transição para um modal totalmente elétrico e abastecido por matrizes de menor demanda hídrica e de emissões de carbono atende às metas de descarbonização do setor de transportes.
Foram realizadas ainda visitas técnicas às empresas T2 Inc. e Yamato Logistics. Em Yokohama, a agenda inclui visitação ao Port and Airport Research Institute (Pari), referência em pesquisas de engenharia marítima e aeroportuária, e à fabricante de veículos comerciais Isuzu.
Por Daniel Fernandes